Caja

Como uma caixinhas de melindres

Descubro outras aberturas

Por baixo

Pelos lados

Para não deixar escapar mais nenhum deles

A vida não os precisa

Nem tampouco os dias

Eles servem para outros tempos

Em que as coisas e os restos

Sobram

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Como se fosse

Te aguardo

Como se fosse um domingo

Fim de tarde

Noitinha

Dia de guardar silêncio

Agonia

 

Te aguardo

Entre as coisas do dia e os nãos da vida

Até que se torne tudo sim

E iremos passear na pracinha

 

Te aguardo

Entre esses medos todos e as notícias felizes

Quando um pouco de graça

Desperta

E até a água

Morna,

Dilacera

Esqueci de te esperar hoje.

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Do ventre

Avó,  menina

Mulher dos olhos de mar

Ventania

Cidade inteira para abrigar palavras

Mundo no ventre daqui

Dela nasceram sonhos

Meninas, Menino, Menina, Meninos…

Dela nasceram países

Que se renovam

Toda vez que ela entra aqui

E passa

E volta

Sempre permanece

Com suas mãos de coragem

Com seus dias de luz

É ela

A menina, que nos balança

Nossa rede

Nosso solo

Nossa vida inteira.

(Para minha mãe e avó de Pedro e Nicolle)

 

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Ela pousada ali na porta

Infinita

Com suas asas de folhas

Semi abertas

Esperava a manhã

Sossegada com seus olhos atravessados da noite

Seu silêncio dizia tudo

Era festa

Poderia ser mais

E era ela

Com suas antenas ligadas aos acasos

Permitia sentir uma saudade boa

Um desejo de ser vento

E mudar de cor quando quisesse

Era ela

Ali

Parada entre a cidade e a rua pequena

Suas vidas podiam mais

E iam

Entre as esperanças e os louva Deus

Era ela

Ali

Trazendo o mundo inteiro por dentro.

 

(Para o  Louva Deus ou esperança que apareceu hoje pela manhã na porta de casa

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Os dois vazios de mar

Procuravam areia

De bicicleta,

Pedalando o ar

Nos passos

Giravam desesperados

Pés de guardar silêncios

Pequenos

Amenos

Nada que um pouco de riso

Os desfizesse .

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Ele

Cálido, delirante, vôo raro
Teu espaço
Calado
Entre os meus
Aconchego de ventanias
Chegada
Organização de asas entre os tempos
Sala
Estar entre o mundo e as nuvens

Sagrado

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Pássaro feito do efêmero

Vivo para inventar planos de fuga

E todas as noites

Gaiolas inteiras se abrem por dentro

A matéria prima

Escolhida ao acaso

Une silêncio, dorzinhas, arames cortados e um pouco de solidão

Disso tudo se faz portinhas infinitas

A passagem é o lugar

O vôo consequencia

Asas pequenas ou grandes

Miragens

Feito desertos inteiros dentro da gente

Não se apagam nunca

Vive-se para inventar planos de fuga

E todas as noites as janelas se fecham para a vida

São pequenas as mortes de dentro

Imagens deitadas de inventos

Vivemos para desenhar planos de fuga

E todos os dias

A passagem é o passageiro

Entre o ir e vir de grades

grandes ou pequenas

Ficar é apenas consequência…

 

Para o poeta Eucanaã Ferraz, que abriu portas gigantes do mundo das palavras…

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